A influência do cyberbullying na saúde emocional de crianças e adolescentes



Ameaças, propagação de fofocas e calúnias têm se tornado cada vez mais comuns no meio virtual, comprometendo a saúde mental de crianças e adolescentes. De acordo com relatório divulgado pelo Instituto DQ (Digital Intelligent Quotient), 56% das crianças entre 8 e 12 anos estão expostas às ameaças digitais. O documento, realizado em parceria com o Fórum Social Mundial, também revelou que 47% dessas crianças já foram vítimas de cyberbullying.¹

Sentir-se sistematicamente intimidado, humilhado ou até ameaçado, pode provocar comportamentos que vão desde as dificuldades de relacionamento e aprendizagem na escola, até a prática de comportamentos de risco. Aspectos individuais, como o restrito repertório de habilidades socioemocionais e o fato de se viver em um lar violento, assim como características do clima emocional do ambiente escolar e social em geral, podem contribuir para a manutenção desse fenômeno.

O cyberbullying se caracteriza pela intimidação sistemática na rede mundial de computadores para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial. Nesse processo, facilmente nosso olhar recai sobre a vítima, dando-lhe atenção, cuidado e instigando um desejo de proteção em nós. Ao mesmo tempo, a tendência é olharmos para os agressores como culpados por um comportamento que ocorre por "pura maldade”, não enxergando que possuem emoções não identificadas e necessidades não atendidas que motivam agressões verbais, físicas e psicológicas repetitivas. Portanto "vítimas” e "agressores” precisam ser olhados e cuidados em suas emoções.

Além disso, quando falamos de bullying e cyberbullying, é comum pensar que há apenas dois envolvidos: a vítima e o agressor. No entanto, os especialistas alertam para um terceiro personagem fundamental: o espectador, que é fundamental para a continuidade ou não do conflito. Por exemplo, no caso do cyberbullying, ele pode receber a mensagem e não compartilhá-la, evitando assim que a situação vexatória e a exposição da vítima se propaguem.

No caso de retransmissão dos arquivos para outras pessoas (compartilhamento de vídeos, fotos etc.) ele pode ser corresponsável e coautor dessa forma de violência em questão, encorajando e disseminando a violência. Assim, o papel de espectador é determinante para que esse fenômeno social ganhe ou perca força. Além disso, o anonimato dos agressores e espectadores pode encorajar discursos extremamente violentos, normalmente não reproduzidos nos ambientes não virtuais, por se sentir "invisível”.

A Lei Antibullying 13.185/2015, por outro lado, enfatiza que “é dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremiações recreativas assegurar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática (bullying)”, e que “os entes federados poderão firmar convênios e estabelecer parcerias para a implementação e a correta execução dos objetivos e diretrizes do Programa instituído por esta Lei”. A lei foi atualizada em maio de 2018, incluindo a responsabilidade das escolas na promoção de medidas de combate ao bullying, além de ressaltar a obrigatoriedade de implementação de ações para a promoção da cultura de paz.

Nesse sentido, considera-se de essencial relevância para a prevenção dos fenômenos de bullying e cyberbullying a existência de uma metodologia de Educação Socioemocional nas escolas, que fortaleça as habilidades e competências de crianças e adolescentes para lidarem com suas emoções e com as dos outros em seu processo de desenvolvimento. O fortalecimento da empatia, por exemplo, possibilita que o jovem se coloque na perspectiva do outro, conscientizando-se sobre seus atos e, simultaneamente, promovendo a cultura de paz em todos os seus relacionamentos – na escola, com seus familiares e nas redes sociais.

Referências

¹ http://www.revistaeducacao.com.br/47-das-criancas-entre-8-e-12-anos-ja-foram-vitimas-de-cyberbullying/

Fonte: Equipe da Inteligência Relacional