Os avanços da Neurociência e a Educação Socioemocional



No que diz respeito à importância das emoções nos processos de aprendizagem, uma das constatações fundamentais advindas de estudos da Neurociência é a de que é preciso se emocionar para aprender. Para Fonseca (2016)¹ , só num clima de segurança afetiva o cérebro humano funciona perfeitamente, e dessa forma as emoções podem facilitar os processos cognitivos. De acordo com o autor, num clima de ameaça, de opressão, de vexame, de humilhação ou de desvalorização, o sistema límbico, localizado no meio do cérebro, bloqueia o funcionamento dos seus substratos cerebrais superiores corticais, logo nas funções cognitivas de input, integração, planificação, execução e output, que permitem o acesso às aprendizagens simbólicas e à resolução de problemas complexos exclusivos da espécie humana.

Muitos estudos clássicos das áreas de Psicologia e Educação, como os de Vigotsky, Piaget e Wallon, que abordaram questões como o fato de a emoção interferir no processo de retenção de informações e de que todos necessitam de motivação para aprender, agora possuem comprovação científica a partir de investigações neurológicas recentes sobre o funcionamento cerebral. Além disso, em relação aos processos de retenção da informação e memorização, Iván Izquierdo² , médico, neurologista e coordenador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), afirma que quanto mais emoção contenha determinado evento, mais ele será gravado no cérebro.

Estudos recentes da Neurociência também têm comprovado que é possível treinar para desenvolver certas competências socioemocionais, como a empatia: “Uma das maiores descobertas da neurociência foram os neurônios-espelho. Quando você observa alguém fazendo qualquer coisa, incrivelmente seu cérebro fica mais ativo nas áreas responsáveis pela mesma ação, como se fosse um espelho. Esses neurônios espelham movimentos e emoções. Por isso, quando vemos uma emoção de outra pessoa nosso cérebro, para entender emoção do outro, ensaia ativando a mesma emoção. Isso é a empatia”³. Essas informações fortalecem o pressuposto de que um clima emocional agradável e motivante pode favorecer a aprendizagem em sala de aula.

Dessa forma, a Neurociência constata, agora cientificamente, a importância que as emoções exercem nos processos de aprendizagem dos seres humanos e na qualidade de suas interações sociais. Como consequência, depreende-se que as instituições de ensino que desenvolvem programas de educação socioemocional contribuem decisivamente para que os processos educacionais sejam realmente eficazes e significativos, assim como para o bem-estar geral de seus educandos.

Referências

¹FONSECA, V. Importância das emoções na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. In: Rev. Psicopedagogia 2016; 33(102): 365-84.
²https://novaescola.org.br/conteudo/217/neurociencia-aprendizagem?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=Conte%C3%BAdo_Site_seguidores_ne&utm_content=neurociencia
³CHAAR, Laiali (2018). Neurociência mostra como empatia muda relações na sala de aula e na sociedade. Disponível em: Acesso em: 02/04/2019

Fonte: Equipe da Inteligência Relacional